23/04/2015

Filha és, mãe serás

Atenção: o próximo post é um longo e sincero desabafo, que contém alguma linguagem que pode chocar. Antes de atirarem a primeira pedra, peço-vos que leiam atentamente até ao fim.

Na semana passada, vim aqui falar-vos do feminismo bonito do site Maria Capaz, que revela histórias de mulheres inspiradoras. No entanto, apesar de ter gostado muito de todos estes detalhes, a certa altura notei que a maior parte destas histórias se centrava nos filhos que as mulheres tinham, na conquista da maternidade, na centralização absoluta do ser mãe e como isso tinha mudado a vida de cada uma delas.

Confesso que estava a ficar incomodada com estas noções absolutistas, até ver a entrevista da Ana Vidigal, uma mulher pintora que decidiu, pela sua própria cabeça e coração, não ter filhos. E, esta sim, é uma questão que me diz muito.

"Filha és, mãe serás"

Passo a explicar: para se ser mulher, é imperativo que sejamos mães. É uma verdade universal nos tempos que correm. Ora bem, isto não é verdade, pelo menos não é a minha verdade. Quando era pequena, achei que um dia ia querer ser mãe. Não me imaginava grávida como as outras meninas da minha idade, mas achei que um dia isso ia acontecer. Quando era adolescente e via as minhas amigas a planearem o futuro, pensava que um dia ia mudar esta minha ideia e que me ia apaixonar perdidamente e pensar em filhos. Houve quem dissesse que seria a primeira das amigas a ter filhos. E, quando a minha melhor amiga engravidou há 8 anos atrás, pensei que ela tinha muita coragem, mas não a invejei pela escolha que tomou como dela.


Não me interpretem mal, adoro crianças, trabalhei com elas e sei que tenho uma apetência especial para lidar com os mais pequenos, porque me ponho no lugar deles. Lembro-me perfeitamente de um dos meus pacientes de 8 anos, depois duma consulta e de ela perguntar o que é que nós falávamos, ele responder:

- Ela não é como tu, crescida. Ela gosta das mesmas coisas que eu, percebe tudo o que eu falo. Ela é uma criança, igual a mim.

Emociona-me esta sinceridade das crianças. Gosto mesmo muito de crianças, de verdade! Gosto de rebolar no chão com eles, de brincar como eles brincam, de ver o Mundo com essa inocência e simplicidade. Eles acreditam que o dia muda com um só sorriso e eu sei que é assim. Por isso sempre me dei muito bem com crianças e sempre quis trabalhar com elas. Para além disso, sou muito maternal e sei que o sou, principalmente, com os meus amigos. Mas, quando era pequena e mesmo no alto da minha adolescência, arrepiava-me sempre que me imaginava grávida ou com filhos. Achei que, um dia, essa minha sensação de medo iria mudar.

Depois, conheci o Pedro, o meu marido. Ele é 11 anos mais velho que eu e, naquela altura, tive medo que quisesse aquilo que eu não desejava e, da mesma forma que lhe disse que não queria casar (e isso mudou, é verdade), disse-lhe que não queria ter filhos. Ele apenas sorriu e, tranquilamente, disse-me o mesmo. O tempo foi passando, a certeza de que não queria ter filhos foi ficando e, hoje, depois de muitas conversas e muitas discussões, continuamos os dois com essa certeza.

É verdade, não quero ter filhos. Respeito quem os quer ter, quem faz essa escolha na vida. Adoro miúdos, sou a melhor das tias, mas não quero ter os meus. Talvez seja uma atitude egoísta por gostar muito do meu espaço, do nosso espaço, de viajar, de ter domingos a descansar no sofá e a ver filmes, de ir de férias com os amigos, de ter um jantar mais longo, de não deixar projectos de vida de parte. Talvez seja porque sei que, com a doença que carrego nos ossos e com a medicação que tomo, teria de abdicar disso caso um dia queira ter filhos, e, muito sinceramente, não quero voltar a ter "aquelas" dores. Talvez seja porque não me sinto minimamente confortável financeiramente e porque sei que não seria capaz de dar a alguém o futuro que gostaria.

Mas a verdade é que nunca há timmings certos e estas decisões não se pensam vezes sem conta. Mas talvez sejam tudo desculpas, porque a verdade é que o facto de ter filhos ou não é uma opção minha, egoísta ou não, uma decisão que só me diz respeito a mim e ao meu marido. E a verdade é que não queremos ter filhos, nunca quisemos.

No entanto, sou criticada muitas vezes pela minha opção. Desenganem-se aqueles que pensam que são só os pais e os avós a fazerem pressão para termos filhos. São os amigos, aqueles de perto e que nos conhecem muito bem, os que têm a mesma idade que nós e até os mais novos. São aqueles que, distantes ou por perto, nos vêem casados e sem filhos e que, mesmo que não digam nada, têm atitudes que censuram esta nossa escolha. Acham que eu não amadureci, que não vou ter ninguém para cuidar de mim. Acham que me vou arrepender de não ter um prolongamento de mim mesma, um "amor maior", fora do peito, que muda tudo na vida e que me irá fazer muito feliz. E, por vezes, acham que não posso ser mãe ou que o meu egoísmo me faz menos mulher, porque só serei completa quando for mãe.

Temo em discordar. Não querer filhos não me faz menos mulher ou pior pessoa. Sou igual ou melhor que muitas mães. Sou dedicada e atenta, a melhor amiga de todas. Ouço pessoas a horas indecentes e faço tudo pelos meus amigos, mesmo quando isso me pode prejudicar. Sou a "amiga-mãe", muito preocupada com as opções dos meus amigos, pois quero o melhor para eles. Tenho vários amores maiores e vejo o meu prolongamento em muitas das coisas que faço. Sou a melhor das tias emprestadas (não tenho irmãos de sangue), aquela que rebola no chão com eles, que os ensina asneiras (oops!) e que os ama muito, como se fossem do meu sangue. Não sei dizer que "não" a alguém que me pede algo de coração. E, mesmo calada, estou presente.

A questão que se coloca é que existem muitas mulheres que são julgadas por esta opção de vida. A própria da Ana Vidigal, na sua conversa na Maria Capaz, fala duma entrevista que deu para um jornal sobre o seu trabalho, onde falou brevemente sobre a sua decisão de não ter filhos. Dias depois, na publicação dessa mesma entrevista, o texto foi todo focado sobre essa sua escolha, excluindo aquilo que era realmente importante: o seu trabalho. Infelizmente, muitos são os casos em que isso acontece, em que o que é valorizado são os filhos. [e muito poderia falar também sobre o trabalho não condizer com os filhos, mas esse não é o tema destas palavras]

Termino com um simples pedido: deixem-se de coisas. Não sou menos mulher por não querer ter filhos. É uma opção e, tal como respeito quem os quer ter e admiro muito as mães que querem uma família numerosa, exijo respeito para mim mesma. Basta destas exigências idiotas e das ideias limitadoras de família, que temos de ser exactamente como as pessoas esperam. Sei que muitas das vossas atitudes existem porque gostam de mim e preocupam-se comigo e com o meu futuro. Mas posso garantir-vos que sou muito feliz com a opção que fiz. :)

P.S. Todas as fotografias foram tiradas por mim, numa viagem que fiz ao Vietnam, Cambodja e Laos, os sítios onde, apesar de ser rodeada de crianças constantemente, me senti mais adulta. Numa nota muito séria, agradeço a cada um destes olhares por me ter curado. 

34 comentários:

  1. Que texto tão bonito, Raquel! Parabéns!, cada um tem as suas escolhas e não se é mais isto ou menos aquilo por querermos seguir opções diferentes. Cada um é como é e cada um faz o que sente que deve fazer e se se tem um companheiro que apoia e sente o mesmo, penso que ainda é melhor!

    Muitos beijinhos, minha querida!

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  2. Olá Raquel,

    Já tinha lido o texto que referes na Maria Capaz e adorei ler também a tua história e visão sobre o assunto. Revi-me em grande parte dele, especialmente na parte em que relembras os tempos de infância e adolescência em que não te imaginavas a ficar grávida e a ser mãe. Eu também nunca imaginei tal coisa. Aliás, todas as minhas bonecas eram minhas "irmãs", nunca fingia que eram minhas filhas como as outras meninas da minha idade.

    Sinceramente nunca me deu o "click". Ainda não me fazem grande pressão, mas sei que esse dia vai chegar. Hoje em dia já se consegue engravidar mais tarde e sinto-me grata por isso, porque nunca digo nunca. Se mais tarde sentir o apelo de ser mãe, boa, se não, vai ser bom também! Neste momento não imagino nem consigo imaginar a minha vida com crianças e até gosto muito delas! Sou como tu, quando estou com crianças transformo-me numa também e elas gostam de mim por isso. :)

    E quanto ao pretexto de "e quem vai cuidar de ti quando fores velhinha?", não me venham com coisas, que isso não é motivo nenhum para se ter um filho. Isso sim é ser egoísta. Ser egoísta é também decidir ter filhos porque é o que é esperado de nós e temos medo de ser julgadas pela sociedade, de parecer mal.

    Antes escolher não ter filhos e ser excelente para todas as crianças que se cruzam no nosso caminho do que tê-los por "obrigação" e pressão da sociedade para, mais tarde, sermos mães e pais ausentes e desinteressados. Isso sim é ser egoísta.

    Espero que um dia as mulheres que escolhem não ter filhos possam ser tratadas pelos outros da mesma forma que os homens que admitem a mesma coisa o são.

    E só para finalizar... as fotos, ai Raquel, as fotos... que lindas e tão cativantes que são! Fizeste uma das viagens que quero muito fazer na minha vida (com ou sem filhos ;) )

    Beijinho*

    www.joanofjuly.com

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    1. Muitos são os pretextos egoístas das duas partes, daqueles que querem e daqueles que não querem ter filhos. A questão aqui é sermos sinceros com aquilo que queremos e não sermos julgados por decisões que só nos dizem respeito a nós mesmos. Não sou menos mulher ou pior filha, sou igual e até melhor, porque sigo aquilo que me vai na alma. :)

      Obrigada Catarina, por seres tão doce. Senti-me abraçada deste lado. :)

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  3. Sou do grupo das que querem ter filhos.

    Não para já! Quero dedicar mais uns anos a mim e ao meu futuro marido, aos nossos objectivos individuais e comuns. Ao longo da vida, quando me fui imaginando a ter filhos, nunca vi isso da perspetiva de me enquadrar num grupo de priveligiados que não devia explicações a ninguém.

    Ultimamente, também devido ao blog Maria Capaz, apercebi-me que toda a gente gosta de ter uma opinião sobre a vida das outras pessoas. Toda a gente gosta de julgar e achar que as decisões pessoais de cada indivíduo lhes diz respeito.
    Ou porque todas as mulheres deviam ter filhos. Ou porque são contra a decisão das outras pessoas de serem a favor do aborto. Ou porque usam minissaia, por isso são culpadas por serem alvo de assédio. Ou porque... Como se o corpo de cada mulher dissesse respeito a todo o mundo e não somente a ela própria!

    Felizmente esses assuntos começam a ser debatidos e, apesar de todas as novas perspetivas demorarem a entrenhar-se na sociedade, só o facto de se começar a falar disso, é um passo para que cada pessoa viva cada vez mais livre e feliz com as decisões que toma para si.

    E, por isso, ainda bem que falaste - ainda que não devesses explicações a ninguém!

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    1. É necessário que falemos nestas coisas, Ana. Infelizmente, ainda é necessário que existam pessoas com dois dedos de testa que falem nisto, ou serão muitos aqueles que, no silêncio, te julgam por opções que tiveste na tua vida. Sim, tens razão, são coisas que só me dizem respeito a mim e não devo explicações a ninguém. No entanto, devo a verdade a mim mesma, a verdade em voz alta. E sentir que há pessoas como tu que me acarinham de coração e alma, é a melhor das prendas. Obrigada :)

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  4. :) Um sorriso, um sorriso foi a minha reacção a este teu post.
    Percebo perfeitamente as tuas palavras: aos 16 anos, decidi que não casaria, que viveria sozinha (e no estrangeiro) durante o tempo que me fosse possível, que não teria filhos, pelo menos biológicos. Hoje, tenho 33 anos e segui um caminho totalmente diferente: saí de casa dos meus pais para viver com o meu companheiro, em Portugal, temos um casamento por acontecer algures no tempo e estou grávida do meu primeiro filho (nascerá no próximo mês). Eu mudei de vontades, mas, como tu dizes e bem, essa mudança (ou não) só a mim, em primeiro lugar, e também ao meu companheiro, disse e diz respeito. E há sempre quem faça o comentário "então, mas tu não dizias que...?". Deixá-los, porque a verdade é que ninguém tem mesmo nada a ver com isso.
    Eu era feliz com a minha decisão aos 16 anos, sou feliz com a minha opção aos 33 e é isso que interessa.
    Tu és feliz e, lá está, é mesmo isso que interessa ;)

    Inês.

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    1. haha, eu tambem tive essa reaccao "mas tu nao que tu nao querias ter filhos!?" lol, a vida da' muitas voltas e e' mesmo isso era feliz antes, sou feliz agora.

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    2. Inês, obrigada pelas tuas palavras. Eu também não fecho portas a nada, mas estou muito bem resolvida e feliz. E, por isso mesmo, esta é uma decisão consciente, algo que bato o pé com todas as forças, porque sei que, como eu, existem muitas mulheres a serem julgadas pelas suas opções.
      O que interessa é que sou feliz. E tu também. Um beijinho para vocês os 3 e muita sorte para tudo :)

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  5. nunca tinha comentado o teu blog, hoje e' o primeiro dia. acho q podias so ter escrito o ultimo paragrafo! n tens q dar nenhuma desculpa para n querer filhos. ate' podias ser ma' tia, nada maternal e odiar criancas, nada te tirava o direito a tua (vossa!) opcao pessoal onde ninguem tem q meter o bedelho. eu tb nunca quis ter filhos e agora tenho um e sou muito feliz, mudou a minha vida e' verdade. e o q e' q isso interessa? nada! e' o meu caminho, e' a minha vida, n vou comecar a querer converter os outros! as mulheres tem todas q fazer isso senao fica mal, "adoro os meus filhos acima de tudo", "e' tudo na minha vida" "sinto-me preenchida", whatever...
    no outro dia li o teu post sobre o maria capaz e queria ter comentado q se aquilo e' feminismo vou ali e ja' venho! a maior parte dos textos sao tao superficiais...
    enfim, desculpa o "rant", sou sensivel a estes temas de tentarem encaixar as pessoas em caixinhas! beijinhos e muitas felicidades 'a vossa maneira

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    1. Percebo-te perfeitamente, Sara! Também não aceito muito bem as "caixinhas" nas pessoas.
      É verdade que não tenho de dar desculpas pela minha decisão, mas é também verdade que acho importante que se fale nisso. A sociedade é realmente muito má com as mulheres. E nós vivemos em sociedade, por isso é que acho que devemos ter uma voz sobre aquilo que nos diz respeito. Foi por isso que falei, porque devo algo às pessoas que me conhecem, porque quero também ajudar aquelas mulheres que não falam, mas que sentem algo similar. :)
      Obrigada pelo "rant", porque mesmo com caminhos diferentes, penso que pensamos de forma similar :)

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  6. Post lindíssimo! As fotografias e o texto... e é um assunto sobre o qual me ando a debater ultimamente, mesmo sabendo que ainda tenho bastante tempo para decidir. Há quem diga que é egoísta não querer ter filhos, e há quem diga que é egoísta ter filhos tendo em conta a quantidade de gente que há no mundo e a escassez de recursos. Felizmente há sempre dois lados numa conversa, e neste caso não acho que haja argumentos mais ou menos pesados! É uma decisão que no fundo não pode ser racional: ou se quer mesmo a ponto de mudar a vida por completo, ou não se faz assim tanta questão e então mais vale dedicar essa vida a tudo o resto. (e numa nota à parte, também há muitas mulheres que têm de lidar com o oposto, em que são julgadas por serem "só" mães... mas porque é que esta gente não deixa as pessoas serem felizes como estão?)

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    1. A única coisa que me magoa mesmo é quando as outras mulheres me atacam porque não quero ser mãe. "Não é natural". E ser mãe porque sim é natural?
      Era esse o meu objectivo, fazer as pessoas pensarem um bocadinho naquilo que dizem, nas palavras que escolhem e que dirigem às outras pessoas. Não é racional, é sentido. E saber que existem pessoas bonitas como tu que sentem da mesma forma que eu é um grande alívio. :)
      Um beijo enorme para ti, querida Carolina!

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  7. É isso mesmo, deixem-se de coisas! A vida é tua e só tu sabes como és mais feliz! Tenho a certeza que és uma mulher com M grande, não precisas de ser mãe para sentires isso. Adorei o texto e as fotografias*

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  8. Quando vi no instagram tive curiosidade e vim espreitar a tua partilha, Raquel. A sociedade é má para as mulheres de muitas formas e com as que decidem não ser mães ainda mais. Eu acho que há pais que não o deviam ser, porque não percebem a importância de educar e nem atingem a responsabilidade de ter a vida duma criança a seu cargo. Por isso há crianças que crescem sem rumo.

    Respeito muito quem como tu opta por não ter filhos, porque imagino os dissabores que essa decisão traz numa sociedade tão formatada para não ver fora da caixa. Se mais pessoas tivessem consciência das suas limitações ou falta de aptência para a paternidade, talvez se evitassem crianças e jovens com saúde mental tão frágil. Não estou com isto a dizer que não darias uma boa mãe, só estou a dizer que há pessoas que como tu deviam estar mais conscientes daquilo que implica ter uma crianças nas suas vidas e conscientes disso tomar decisões conscientes. Não sou mãe ainda, não sei se vou ser, mas vejo que muda muita coisa e que temos que prescindir um pouco de nós. Acredito que seja óptimo, mas também sei que implica sacrifício. Não te censuro por uma decisão tão consciente, admiro-te pela certeza sobre o que queres e não queres.

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    1. Vânia, muito obrigada pelas tuas palavras tão directas à questão, tão concisas e verdadeiras. Escrevi este texto não só por mim e pelas minhas opções, mas também por aquelas mulheres que se sentem similares, que não querem ter filhos ou que não sabem ainda, mas que querem ter escolhas, que desejam ter uma voz própria e não serem julgadas por aquilo que decidem. Estou muito consciente, sim, daquilo que quero e não quero para mim. Sou feliz com as minhas opções, mesmo que elas não sejam exactamente aquilo que as pessoas esperam para mim. E saber que existem pessoas como eu, é reconfortante, apenas porque este desabafo já ganhou o seu objectivo. :)

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  9. Querida Raquel, simpatizo muito contigo. Vou seguindo em silêncio mas atenta. De uma mãe com 28 anos na quinta gravidez posso dizer-te, muito resumidamente, que te acho muito bem resolvida nas tuas escolhas e muito comprometida nas opções que tomaste! Dou te os meus parabéns! Não é comum encontrar alguém que fale sobre isso de uma forma tão aberta, pura e sem "maldades". Todas nós fazemos julgamentos sobre a vida dos outros, ninguém é melhor que ninguém, e é uma lufada de ar fresco ler este post! Não queres ter filhos mas vais deixando um legado bem maior! Obrigada!

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    1. Querida Catarina, pensei muitas vezes em ti enquanto escrevia este texto. És alguém que admiro muito, mesmo que sejamos completamente diferentes, pelo menos nesta opção de vida. És uma mulher com um M, de coração cheio naquilo que acreditas. Tens uma família linda, principalmente por reflectir o amor que existe entre vocês, um amor bonito e capaz, um amor muito feliz e completo.
      Sei que, ao falar disto, poderia ferir susceptibilidades daqueles que não partilham da mesma opinião que eu. Quando li o teu comentário, tudo se acalmou dentro de mim e posso até dizer-te que me emocionaste com o legado que deixarei. Obrigada, Catarina! Que todas as mães fossem tão genuínas como tu, muito bonitas por fora, mas ainda mais por dentro! :)

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  10. Eu também não quero ter filhos. Pior, nunca quis. Quero muito ser tia (vou ser, a sério, em breve - mas fui treinando com os filhos dos meus amigos) mas mãe não. Mesmo quando era miúda, a única hipótese que punha, ainda que remotamente, era a de adoptar - e toda a gente achava estranho. Em adulta, não há muito tempo, vacilei, por razões que agora não interessam - mas durou pouco, o vacilo. Agora, com 41 anos, tenho mais certezas do que nunca (a meu respeito, apenas): as minhas amigas têm filhos, eu adoro que elas tenham e gosto muito deles, ponto.
    Foi um gosto ler o teu texto: não espero encontrar pessoas iguais a mim mas é muito aconchegante saber que não sou assim tão estranha. Um beijinho.

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    1. É realmente muito aconchegante saber que não sou assim tão estranha e que existem pessoas desse lado que sentem como eu. Obrigada pelas tuas palavras. :)

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  11. Sou mãe de uma menina...adoro ser mãe dessa menina :-) foi uma opção tardia no "limite"de a poder tomar. Acabei por me decidir ser mãe, por curiosidade, desafio, e a verdade é que me tenho divertido...é mesmo bom e divertido ter uma criança em casa, há muitos risos por todo lado, muitas brincadeiras e um amor muito especial...Mas tenho a noção de que se tivesse decidido não ter filhos era também muito feliz. Raquel compreendo perfeitamente o que dizes e concordo em absoluto, para se ser um ser humano pleno não existem receitas, nem são necessários filhos tirados de "cartolas"...Em relação às pressões sociais também te digo que mesmo que decidas ter um filho de seguida te farão pressão para ter outro.
    Abraço
    Sandra Mestre Costa

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    1. Sim, há pressões sociais de todos os lados e pelos mais variados motivos. E juro que não entendo porquê. Não temos de ser todos iguais, não há nenhuma fórmula mágica da felicidade. Antes houvesse, que assim andávamos todos cintilantes ;)
      Obrigada pelas tuas palavras, Sandra. Um beijinho grande para ti e para a tua menina :)

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  12. Parabéns pelo teu post Raquel! A tua determinação é uma inspiração. Falar disto no teu blog não foi de certeza uma decisão leviana precisamente pelas razões que focaste. Não tenho filhos ainda. Mas sou louca por livros para a infância. Há um conto que gosto em especial e que provavelmente também conheces e que vem a condizer. "O velho, o rapaz e o burro". As pressões sociais são uma evidência e sinto-as todos os dias. Fiz muitas decisões na minha vida orientadas por elas e, consciente disso, tenho travado um esforço muito grande para as colocar fora de mim. Mas o caminho não tem sido fácil. Mas ainda que não as houvesse, as pessoas terão sempre opiniões para dar seja o que for que faças! Sonho para já com um futuro em que todas as mães eduquem filhos para serem felizes e não para andar em autoestradas. Todos sabemos que as estradas nacionais são mais bonitas... imagina o que não seria fazer o caminho por trilhos a pé. beijinhos***

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    1. Obrigada Eunice! :)
      Não foi fácil falar sobre isto, mas a certa altura pensei que deveria ser mais sincera, falar de coração aberto. É assim que as pessoas me conhecem, por isso só fiz aquilo que sei fazer. :)
      Um beijinho para ti*

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  13. Raquel, fui mãe aos 23, aos 31, aos 36 e... stop! Não fui levada por pressões ou condições, fui mãe porque quis. Fui porque foi a minha vontade, a minha escolha. E não me sinto mais mulher do que tu. E também não preciso de plantar uma árvore para me sentir um ser melhor. Nem de fazer caridade para mostrar que gosto muito dos pobrezinhos. Etc, etc, etc. Minha querida, somos como somos, devemos fazer o que queremos fazer e não nunca devemos desviar-nos das nossas escolhas. Bem hajas. Bjs*

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    1. Se as pressões fossem só da dita sociedade, tudo seria muito mais fácil. Mas não. São da família e dos amigos bem próximos, que me conhecem como alguém muito maternal. É uma pressão constante que é difícil de fugir.
      Mas sinceramente acho que pus os pontos nos is, por isso posso seguir. :)
      Um beijinho para ti e para os teus*

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  14. Raquel,
    Sem me permites, aceito o teu desabafo como um exercício de conversa e esclarecimento de ti para ti. Acredito em cada uma das tuas palavras e das tuas sensações. Agradeço, claro, a partilha. A intimidade não morre no momento em que nos expomos. Antes, ganhamos novas raízes e outras virtudes. Só assim faz sentido.
    Tenho uma admiração e respeito intermináveis pela ética que não é só teoria, pela verdade que não é só imagem e pela palavra que não é só conversa. Admiro igualmente a sinceridade e a frontalidade.
    A questão da maternidade e/ou paternidade não se esgota na gravidez, nem começa na sexualidade. Há um sem número de contornos que não são fabricados.
    Assisto à pressão social e à frustração dos alvos. Obrigam-se a formatar a essência por terceiros. Pergunta-se por uma relação que não existe, não pelos sentimentos e evolução, mas porque a idade corre e a fertilidade não espera.
    Enfim, pouco importa. Voltámos, sempre, ao principio. Fiéis a nós.
    Um beijo.
    Continua a debater-te por e com as tuas convicções.
    :)

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    1. Acima de tudo, quero ser, como tu dizes, fiel a mim mesma. Foi por isso que escrevi, para falar de voz alta, para que todos me pudessem ouvir. E ainda que o tenha feito com uma quota parte de conversa comigo mesma, a verdade é que as pessoas que me interessavam que ouvissem, abriram os olhos e escutaram com atenção. Missão cumprida. :)

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  15. estive a sorrir do princípio ao fim do teu post. e admiro-te muito por falares de um assunto que acaba por ser delicado (mesmo que não devesse sê-lo) de uma forma tão genuína e tão bonita.
    é tão bom termos certezas nossas, seguirmos o caminho que é nosso sem nos deixarmos distrair pelo que os outros acham que devemos fazer, ser, pensar, sentir.
    beijinho grande!

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    1. Obrigada Joana! Vês-me duma forma muito especial... Obrigada pela tua doçura e carinho, não esqueço :)

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  16. Obrigada por este post! Os blogs precisam de mais posts assim, honestos e despretensiosos. Quando era pequena, queria muito ser mãe. Hoje, com 20 anos, não sei se quero ter filhos ou não. Mas sinto a liberdade de tomar a decisão certa para mim e não para o outros e isso é muito bom.

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    1. Obrigada pelo teu comentário Inês! E que seja sempre assim, honesta e sem pretensões. :)
      um beijo enorme*

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