13/05/2015

[San Francisco] a arte de rua em Mission

No nosso último dia por San Francisco, sabíamos que ainda havia muito para ver. Com o dia um pouco cinzento e mais fresco, queríamos colorir as memórias desta cidade que rapidamente ficou no nosso coração e, por isso, fomos até ao bairro mais artístico e pintado de muitas cores: Mission.
O dia começou mesmo pelo primeiro café a sério desde Portugal. Muitas são as pessoas que dizem que nós bebemos o melhor café de sempre e, para os meus gostos, estão todos certos. Embora não seja uma pessoa tão ligada a este vício como aqueles que consomem rigorosamente o seu número exacto, não dispenso o sabor do café verdadeiro, do único que me desperta. Mas não é só por me acordar que gosto de café. Gosto da companhia que me faz, do ritual que representa, da pausa que faço para o saborear, do cheiro que me transporta para lugar da minha memória. Gosto mesmo muito de café.

Por isso mesmo, quando vi no Portugueses pelo Mundo uma reportagem sobre um sítio onde se faz bom café em San Francisco, sabia que tinha de o visitar. E, mesmo que os planos tenham fugido um pouco de sentido e tenhamos escolhido outros sítios para o nosso caminho, este foi o lugar que se esbarrou connosco enquanto caminhávamos em direcção aos murais de Mission. Travámos conversa com um dos rapazes bonitos que serviam o café, dissemos que vínhamos de Portugal, os amantes desta arte de saborear e foi a pausa que precisávamos para começar bem o nosso último dia por aqui.



Mal nós sabíamos que Mission era o bairro conhecido pelos seus hábitos de café! :)

Além disso, mesmo com o sol escondido, queríamos ter o nosso tempo para explorar o bairro mais antigo de San Francisco, aquele que vinha nos guias, livros e sugestões como o mais artístico e emblemático da cidade. É, de facto, o bairro mais diverso que encontrámos, com surpresas a cada esquina, uma amálgama divertida de muitas culturas, sabores, visões e cheiros.

Começou por ser o sítio com maiores evidências latinas, principalmente mexicanas e da América Central, e ainda hoje se ouve o espanhol por todo o lado. Mas é essa característica mais simples e alegre que se sente quando passeamos pelas ruas, é essa perspectiva jovial que contagia as gentes que por lá vivem.

Desta forma, são muitos os sítios a pulsar de energia boa neste bairro. Entre as imensas taquerias, pupuserias, mercados, restaurantes e confeitarias específicas, salones de belleza, mecânicos e outros, surgem também os cafés, lojas em segunda mão e de livros usados, que atraem artistas, jovens universitários, activistas e empreendedores, altamente interessados nestes temas. Assim, este é não só um bairro eclético com uma predominância latina, mas como se respira arte na rua, com contrastes quase gritantes numa esquina qualquer.


As ruas mais conhecidas de Mission são duas e exibem comportamentos completamente diferentes. Em Mission Street, vemos o mundo mais latino, onde se vende tudo o que se queira nas lojas de rua, sem pretensões e com a simplicidade na ponta da língua. Por outro lado, Valencia Street é das modas, dos preços mais elevados, das elites, das poses e das manias.



No entanto, há uma ponte entre estes dois mundos tão distintos: a arte de rua que invade tudo quanto é canto. Este é o bairro dos murais, das telas que se expõem nas paredes, ao ar livre. Servem de encontro de ideias, de voz social e política, daquilo que não se diria por palavras. Leva-se a arte para a rua, revela-se um mundo colorido.



É em Mission que a arte ganha uma voz, tão alta que se ouve em qualquer sítio da cidade. É também aqui que os artistas são convidados a expressar-se da maneira mais livre que conseguem. Assim, os artistas ganham uma casa em Mission, mesmo que San Francisco não seja a sua morada principal. Esta é a liberdade de expressão que caracteriza tanto esta cidade e que tanto me apaixonou, por não ter barreiras ou condições. E é esse o sentimento que se propaga por todas as ruas de San Francisco, o que torna Mission o bairro mais característico e simbólico desta cidade.



Desta forma, decidi dedicar-lhe um espaço especial neste meu blog, como forma de recordar a nossa viagem a uma das cidades mais especiais da nossa memória. O lugar onde se respira arte, onde se é sincero e objectivo, se formos de encontro com aquilo que sentimos. A cidade onde apenas precisamos de ser nós mesmos para sermos felizes.

P.S. Amanhã volto com as restantes vistas do nosso último dia por San Francisco. Agora deixem-me suspirar um pouco mais por estas cores tão bonitas. :)

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