30/09/2015

Mês novo, novas desculpas para escrever

Algures durante este ano, decidi dar um tempo longe deste meu blog. A verdade é que me sentia presa aos temas que tinha aqui, a escrever sobre eles, a ditar os meus dias e a sentença daquilo que fazia. Talvez fosse preguiça ou falta de vontade de estar aqui, mas sentia-me cansada de ser obrigada a permanecer por cá.

É verdade que o meu bloqueio criativo também não ajudou. Estive muitos meses a olhar para a parede, sem que as ideias conseguissem passar para o papel. As palavras não saíam, as convicções que tinha para o novo livro pareciam-me já frases batidas, há muito usadas e abusadas por vários autores. Não me parecia nada de novo e não me queria repetir. E cada frase que escrevia deixava-me desesperada, porque queria que fosse diferente da anterior.

Meti de tal forma na cabeça que este meu segundo livro tinha de ser tão diferente do primeiro, que impedi que as novidades saíssem dos meus dedos. Achava que as histórias que queria contar tinham de brotar de dentro de mim, dum lugar recôndito que ninguém conhecia e que tinham de ser algo nunca antes contado. Afastei-me do blog também para me dedicar ao livro (e porque estava convencida que não havia nada a dizer), e restringi a minha escrita a tudo o que fosse absolutamente essencial. Não percebi a grande estupidez que estava a fazer.

De repente, apercebi-me que não escrevia nada (para o livro, para o blog ou seja o que for) há mais de um mês. Estava completamente bloqueada pelos meus próprios pensamentos. Cada vez que me sentava ao computador, a minha mente ficava absolutamente vazia, impotente.

Às vezes é preciso atingirmos o nosso ponto mais baixo para percebermos o quanto estamos a errar. Não adianta as palavras dos outros, não há chamada de atenção ou puxão de orelhas que nos valha ou revele o caminho a seguir. É como aquela relação que tivemos (ou temos?) e os inúmeros conselhos dos nossos amigos para que escolhamos outra pessoa, porque somos bons demais para estar ali. Se não formos nós a chegar a essa conclusão e a dar a volta por cima, não resulta.

Eis que, meses depois de me ausentar daqui, conheci-me vazia. E não gostei de me conhecer vazia, nem sabia que isso existia. Uma das coisas que mais gosto de fazer é escrever... Então porque raio é que resolvi deixar de o fazer? A sério, Raquel. Não.

Num acto de desespero e sem saber o que fazer a seguir, comecei a meditar. E a nossa mente é mesmo engraçada. Quando decidimos fazer silêncio e calar os nossos pensamentos, é quando a nossa mente decide invadir-nos de gritos. Não é fácil meditar, mas tenho aprendido todos os dias, principalmente a ouvir-me, a ouvir o meu corpo e aquilo que vai cá dentro. E, lentamente, as ideias seguiram-se.

Percebi que a altura em que estava mais produtiva durante a escrita do meu 12 foi quando estava mais activa por aqui, quando escrevia todos os dias, tinha o #desculpashámuitas, as fotografias que insistia em acompanhar com os meus textos, as minhas palavras. Não quando me sentia obrigada a vir cá, mas quando vinha por gosto, quando escrevia aquilo que queria e quando me apetecia. Constatei, por fim, que, quanto mais ocupada estava, mais queria estar. Quanto mais atarefada estava, mais dedicada, aplicada e entregue ficava. Se estava a escrever, era eu mesma, sem filtros.

E, então, decidi fazer aquilo que mais me desbloqueou para o 12: um diário de escrita. Peguei no meu caderno, o mesmo que se iniciou no 12, e comecei a escrever todos os dias, nem que fossem coisas que não interessam a ninguém e só a mim. Tracei um plano bem directo de fazer aquilo que gosto, sem me distrair e para ser o melhor de mim. E, assim, vou voltar às Desculpas para Escrever e o mês de Outubro será de escrita todos os dias. Temas distintos, às vezes forçados se assim tiver de ser, mas será mesmo o que me vier à cabeça. Nem que seja só pelo simples prazer de escrever.

Amanhã é o primeiro dia e o tema é livre. Juntem-se a mim nas Desculpas para Escrever.

1 comentário:

  1. Eu bloqueio quando me concentro muito num só projecto, ou num só objectivo. Parece que deixo de conseguir aproveitar tudo o resto, mesmo o que me faz mais feliz. E quando acontece chego sempre a essa mesma conclusão que tu: perdi-me e está na hora de me reencontrar. Acho que a vida é feita disso mesmo.

    ResponderEliminar