07/10/2015

Dia 7 . o exercício de escrever todos os dias

Quando se começa um desafio destes, em que picamos a criatividade todos os dias, não há só coisas boas. Na verdade, existem problemas diários e desafios constantes, até chegarmos à parte feliz e tranquila.

Grande parte deste processo de escrever tem a ver com o contacto permanente com os meus demónios e a maneira como os extingo, como dou cabo deles com as palavras. É uma terapia, a melhor de todas, mas é também um crescimento que me exigi. Apesar de saber que sou boa com as palavras, não é algo que me vem naturalmente. É um exercício de me saber sentar todos os dias, pegar no meu caderno, olhar para a folha vazia e escrever.

O primeiro problema advém com a minha enorme dificuldade em começar. Agora mesmo, enquanto escrevia estas linhas, apaguei e voltei a iniciar inúmeras vezes. As folhas em branco são as minhas piores inimigas, porque me enchem de medo. As palavras pairam à minha volta e acotovelam-se para serem as primeiras a chegar ali. E depois fico ainda mais em branco do que a folha que está à minha frente e não sei mesmo por onde começar. Sinto-me absolutamente perdida e, para alguém que gosta de estar sempre em controlo, não é um sentimento bom. E é como se fosse uma bola de neve que se sucede em grandeza e que não pára de crescer: quanto mais perdida estou, mais perdida fico.

No entanto, se tiver um tema, normalmente é mais fácil de ultrapassar a primeira barreira. Mas depois de começar entra todo um novo problema: será que o tema que estou a escrever é interessante de ler? Será que vou conseguir passar a mensagem como quero? Será que as pessoas vão perceber aquilo que eu gostava? E depois percebo que, embora escreva também para os outros me lerem, a verdade é que isto tudo é para mim, para a minha terapia, para o meu crescimento. E novamente penso: mas será que isto me está a desafiar a ser melhor?

As perguntas são sempre muitas enquanto escrevo. Mas a maior de todas, pelo menos por agora é: será que já não falei disto antes? E, de repente, as palavras soam-me conhecidas, sinto-me a repetir o que já disse doutras vezes e odeio repetir-me. E, de repente, fico de novo parada a olhar para uma folha em branco.

Nestes dias, tenho aprendido a viver com estas perguntas. A ideia inicial era de mostrar todos os textos que faço, porque sabia que a regularidade de estar por aqui pelo blog me ia obrigar a manter-me no caminho. Mas aquilo que tem acontecido muitas vezes é que não revelo aquilo que escrevi e as razões vivem nas perguntas que vos contei. Por medo, oscilação, hesitação, por devoções que se mudam, porque no momento em que as escrevi eram especiais e depois percebi que não as quero partilhar. Acima de tudo, por duvidar de mim.

Ontem, no meio desta turbulência, vi este vídeo:


E então percebi. Ok, estás a complicar, Raquel. Faz isto para ti e por ti. Assim como decidiste meditar todas as manhãs, arranja um tempo do teu dia para escreveres todos os dias. Faz disto um exercício de todos os dias, um exercício que não tens de partilhar se assim não quiseres. Mas faz. Arrisca. Compromete-te. Arranha a tua voz até tudo se tornar claro. Faz da tua escrita não só algo que gostas, mas um hábito que te faz feliz. Tu mereces isso.

P. S. Estudos da Programação Neurolinguística (o estudo do cérebro) comprovam que precisamos de, pelo menos, 21 dias a praticar ininterruptamente um determinado comportamento para criar hábitos ou modificar costumes que já estão enraizados. Se vos ajudar ainda mais a criar ou modificar um hábito que queiram/necessitem, eu aprendi que a minha capacidade de meditar melhora se for sempre à mesma hora (mais ou menos 30 minutos) e no mesmo local. O cérebro gosta de direcções e a criatividade faz parte dele, por isso venham de lá as regras. :)

4 comentários:

  1. é isso mesmo ....
    Faz. Arrisca. Compromete-te. ...Faz da tua escrita não só algo que gostas, mas um hábito que te faz feliz. TU MERECES ....
    Beijos amor lindo da mumy :)

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  2. Gostei muito do post. Ás vezes só temos de ir, ir, ir... até chegarmos onde queremos.

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  3. Raquel,
    Embora, também eu me deixe levar pela ausência, de quando em vez, senti a falta das tuas palavras. De “visitar-te”, lendo-te as melhores e mais acertadas palavras. Ouvir boa música, conhecendo vozes diferentes ou lembrando outras que, sem pensar, me vou deixando esquecer. Também, de ver a tua formação na informação que vais passando. E, claro, das fotografias sempre de elevado gosto.
    Volta. Volta sempre.
    Um beijo :)

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  4. Tens tanta razão, Real. Ando desapontada comigo mesma, com a minha incapacidade de aparecer por aqui. Prometo que volto nestes dias e depois deixo passar. Sem promessas, estes dias vão ser diferentes e vou dar-me ao luxo de escrever.
    Um beijo enorme e obrigada por continuares por aí.

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