20/11/2015

Wonder

Numa resolução de última hora deste ano, decidi recomeçar a ler. Deixei de o fazer de maneira compulsiva na altura que andava a escrever o 12, com medo que a inspiração me toldasse as palavras que me saíam dos dedos. Mas agora, é tempo de abraçar as palavras dos outros.

Quando era miúda, lia livros de maneira algo compulsiva, já que não dava tréguas aos livros enquanto tivessem algo para me dizer. Acho que herdei isso do lado do meu pai, que tinha uma colecção grande de livros de ficção científica e romances policiais (e outros que tais) e que, no seu sonho de ensinar o mundo, avaliava com notas de 0 a 10 que escrevinhava a lápis na contracapa, acompanhadas de uma palavra que resumia o livro pelo seu olhar. Nem sempre concordava com as suas avaliações ou os seus gostos pelos livros, mas fascinava-me aquela colecção que tinha, tanto que sonhei algumas vezes em ter uma biblioteca daquelas grandes, que implicava ter umas escadas de madeira para chegar aos livros mais perto do céu.

Foi aquela colecção que me deu a conhecer escritores como George R. R. Martin, mas também Stephen King, que li demasiado cedo, já que tinha pesadelos horríveis quando me envolvia naquelas páginas. Mas também foi ali que me apaixonei perdidamente pelas palavras inebriantes de Gabriel Garcia Marquez, pelos poemas de Pablo Neruda e foi ali me fundei na minha maior inspiração, Isabel Allende.

Mais tarde, pela mão do meu avô poeta, aventurei-me pela poesia dos grandes portugueses, António Nobre, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa e todos os seus heterónimos. E lembro-me perfeitamente dos dias completo em que não consegui largar o Lunário do Al Berto, o primeiro livro que me sugou completamente a atenção e que me fez chorar como nunca tinha antes sentido. Aquelas páginas cheias incentivaram-me a libertar as palavras que tinha dentro de mim e, aos 15 anos, quis lançar-me como poetisa num livro meu. [ainda hoje guardo essas páginas com carinho, mas não me atrevo a mostrar a inocência que as escreveu]

Por tudo isto, os livros sempre fizeram parte de mim. Confesso que a idade adulta me levou a ler coisas mais ligadas à psicologia e confesso também que isso me cansou, que me tirou um bocadinho o prazer de me deixar levar pelas histórias que conheci na infância e adolescência. Depois, perdi-me nos dias, escrevi as minhas próprias histórias e não me quis deixar contagiar pelos outros. E deixei de ler.

No entanto, nos últimos meses tenho tido muita vontade de voltar a apaixonar-me pelos livros e pelo sonho de ter uma biblioteca a tocar o céu. Por outro lado, sempre quis ler livros em inglês, para aguçar a minha segunda língua e facilitar-me por aqueles terrenos. Assim, no mês passado decidi comprar uns livros no Book Depository, uma loja de livros online que não cobra portes para Portugal e, desde então, não consigo parar de ler.

O primeiro dos livros foi este, Wonder, um livro que, reconheço, comprei pelos dizeres da capa.

"You can't blend in when you were born to stand out."

Ou seja, não nos podemos misturar ou ser como os outros, quando nascemos para nos destacarmos. E, de facto, esta frase resume o livro. É uma história sobre um miúdo que nasceu com um problema facial terrível, que o faz ser muito diferente dos outros, apesar do seu desejo ser tão normal como eles. É um livro que, muito embora eu não faça parte do público-alvo dele (crianças, adolescentes e pais), me fez rir e chorar muito, como há anos nenhum me fazia. Por isso mesmo, recomendo-o a todos aqueles que se atreverem a ver a vida duma outra maneira, a aprender com estas palavras. É uma verdadeira lição de vida.

Nos próximos dias conto-vos mais um pouco sobre o livro que estou a ler agora. O que acham? 
E bom fim-de-semana! :)

P.S. Sim, voltei, e para a semana tenho novidades!

4 comentários:

  1. :) Boa! Fiquei com curiosidade, e isso é raro visto que cada vez mais abandono os livros quando sinto que não sinto que têm alguma coisa para me dizer. Posso dizer que o último livro que me prendeu do princípio ao fim foi "As filhas do assassino" da Susan Meyers. Foi um acaso feliz :)

    Beijinho! (por aqui já te estou a ouvir - entrei em modo Natal :D)

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    1. Experimenta este! Foi daqueles que me preencheu do início ao fim :)
      E eu também já estou em modo Natal <3 <3 <3 yay! obrigada por me (nos) ouvires :)

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  2. Já li este livro e não descansei enquanto não percorri as palavras todas! É tão bonito e penso que tem uma mensagem bem forte! Está no meu top de livros favoritos, mesmo que me tenha feito chorar baba e ranho!

    Lena's Petals xx

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    1. Às vezes é preciso chorarmos para limpar a alma! Mas este livro é mesmo bonito e também é um dos meus favoritos :)

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