12/04/2016

[bookworm] I Know Why The Caged Bird Sings

Como vos contei no último post, algures no final do ano passado decidi voltar a velhos e bons hábitos e (re)começar a ler mais. Queria também iniciar-me nas leituras em inglês, principalmente pela curiosidade que tinha em saber as palavras originais escolhidas pelos nativos nesta língua.

Não é que a tradução não possa ser feita, a verdade é que tenho muitos bons amigos que são tradutores e sei que é um trabalho muito digno e que, na maior parte das vezes, é muito bem feito. Mas sei que há traduções difíceis de se fazer, que há sentidos que se perdem e que são impossíveis de interpretar para outra língua. E, por isso, achei que estava mais do que na altura de me aventurar a ler na minha segunda língua, o inglês.

Este foi um dos primeiros livros que encomendei no Book Depository, uma biografia de uma das autoras mais emblemáticas dos Estados Unidos, pela representação de uma cultura, da história da raça negra. Não me lembro quando é que tropecei pela primeira vez pelas palavras de Maya Angelou, mas penso que foi algures na altura em que a Oprah habitava as nossas televisões e enchia o peito de orgulho quando falava da sua escritora favorita, da mais inspiradora. Assim, quando me deparei com a sua autobiografia, soube imediatamente que a tinha de ler.

Maya Angelou foi uma escritora, poeta e activista, uma negra que foi a voz desta raça, principalmente das mulheres. Neste livro, a escritora conta-nos o seu caminho enquanto criança, uma vida no sul segregado dos Estados Unidos durante a Depressão e a Segunda Grande Guerra. Ainda que fosse neta de uma lojista poderosa naquelas paragens, este é um retrato doloroso e fiel de alguém que vive e sofre com uma história problemática, mas exemplar.

Este livro é o primeiro dos sete da autobiografia duma vida inteira e representa a infância e a juventude de Marguerite Annie Johnson, conhecida como Maya Angelou. Viajamos com ela desde os seus 4 até aos 17 anos, numa vida carregada de desafios e, com ela, percebemos o valor que tem a cor da sua pele. Não vou mentir, não foi um livro fácil de ler, não só pelas dificuldades da vida da autora, mas também pela escrita própria de alguém que leva a poesia nas veias. Assim, Maya Angelou usa palavras arcaicas, potentes e ritmadas da escrita em verso, cheias de metáforas, eufemismos e outras figuras de estilo, numa dança com segundos sentidos.

Em cada página que passava, as sentenças desenrolavam-se como um fio longo duma história a tecer. É, por isso, um livro emocionante e cheio, com uma dose de realidade capaz de nos colocar com os pés no chão. E, apesar de me ter assustado previamente por ter sido apenas um dos sete volumes desta autobiografia (não tenho muita paciência para histórias tão longas), rapidamente entendi que será uma série que me vai dar muito prazer de ler, pelos ensinamentos que me traz duma história tão cativante como parece. Não será por isso que lemos, para aprendermos com a determinação dos que escrevem?

Por cá, já chegou o segundo volume que estou imensamente curiosa por ler, por isso não percam os próximos capítulos. :)

2 comentários:

  1. Também tenho esse livro na minha estante, apesar de ainda não ter aberto.
    Normalmente não leio biografias mas este livro chamou-me imensa atenção.
    O teu post foi um bom incentivo para pegar nele, obrigada!

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  2. Raquel,
    As palavras, sempre as palavras. E a harmonia das imagens. Uma parceria a que já nos habituaste e que, no melhor sentido, vem sendo uma imagem do que partilhas.
    Da autora, já lá vão alguns anos, desde a primeira vez - e, porventura, a mais entusiasmada das vezes - que ouvi falar nela. Então, uma amiga minha vinha assumindo-se uma fã sem definição. E relatou-nos excertos do que na altura se conhecia. Também das obras e das palavras seleccionadas.
    Boas leituras! :)
    Beijo.

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