14/04/2016

Ter ou não ter filhos, eis a questão

[foto tirada ontem pelo meu querido Fred]

É a segunda vez num espaço de um mês que me convidam para falar sobre a decisão que tomei em não ter filhos. Desta vez, fui convidada para dar a cara na televisão, numa reportagem que a TVI está a fazer sobre a natalidade em Portugal.

Já falei sobre este tema por aqui pelo blog e, como disse, pelo menos da minha parte nem é bem uma decisão, é mais uma conclusão depois de anos a pensar que um dia mais tarde iria querer ter filhos e isso não acontecer, é uma não decisão de ter filhos. Mas este é um dos assuntos sobre os quais falei nas ditas entrevistas que estarão brevemente prontas para consumo, e, por isso, não me alongarei mais por aqui. Resta-me dizer que, apesar de ter sido convidada para falar sobre isto, não quero, de todo, parecer que sou a pessoa mais entendida na matéria ou a representação total das mulheres que não querem ter filhos, mas sinto que tenho um contributo positivo a dar, uma opinião a ser ouvida e, desta forma, aceitei o convite das duas vezes.

A minha opinião é tão natural como a das mulheres que decidem ter filhos. Não há porquês decisivos nem explicações incisivas, mas é um assunto tão proibido que está carregado de dores e dificuldades, de julgamentos feios, de princípios errados e de preconceitos enganados. Não significa que não goste de crianças ou do ambiente fantástico onde elas vivem, como deu para perceber nos anos que passei como psicóloga dedicada à infância, ou como podem ver no mundo que criei com o Fred para Hey Billie. Continuo fascinada pela magia e pela imaginação, adoro os mais pequenos e sinto que vivo no mundo deles. E posso dizer-vos que é muito colorido e feliz, muito bom de se viver.

[o nosso pinguim cinzento de Hey Billie]

No entanto, a minha opção foi falar sobre o assunto publicamente, algo que sinto que falta para quebrar um tabu que, infelizmente, ainda existe. A realidade é que as mulheres que estão na mesma posição que eu têm algum receio de se exporem desta maneira e de falarem no assunto, porque não se querem sentir no meio da arena, prontas para serem injustamente julgadas. A realidade é que eu mesma já ouvi muitos desses julgamentos, mas, embora ontem tenha tremido um pouco das pernas por ter medo de ser mal interpretada, felizmente estou confiante naquilo que sou e no que não sou. E, quando me esqueço, estou rodeada de pessoas que me relembram das minhas qualidades, da minha força e da minha razão. (e que sorte tenho eu de estar rodeada de pessoas assim!)

Não sou um bicho mau, não sou uma mulher sem coração, não sou menos mulher ou sou incompleta, não tenho problema nenhum, nem sou infeliz, muito pelo contrário. Há tantas coisas a dizer sobre isto e, na verdade, é tudo tão simples. Eu não quero ter filhos, mais nada. Se há algo que me define, não é esta opção que tenho, é o meu sorriso. E esse, posso garantir-vos, é completo. :)

E pronto, já falei demais, aliás como sempre. Deixarei aqui os links para as entrevistas assim que souber quando saem, mas podem contar ver-me na primeira semana de Maio. Obrigada a todos vocês que continuam desse lado e que me dão coragem para falar sobre mim e sobre a minha história. Sintam-se muito abraçados deste lado do monitor. <3

6 comentários:

  1. Olá Raquel! Parabéns pela serenidade com que fala da sua "não" decisão....
    Eu sempre quis ser mãe! demorei 5 anos até ter esse privilégio, não antes sem passar pelas temíveis e dolorosas consultas de infertilidade.... porque de alguma forma nos catalogam... Felizmente a coisa aconteceu, naturalmente! Sou uma sortuda
    mas, antes...antes incomodava-me ouvir alguém dizer que não queria ter filhos....
    Hoje não só percebo, como aconselho a seguirem esse instinto, porque será certamente melhor para todos!
    Ser mãe é do melhor da vida, seguramente o melhor que a vida me deu, mas é um trabalho diário, ao segundo, desgastante, doloroso, limitante, educar é difícil, requer presença regras e muito amor! Ele é tudo para mim....e o meu calcanhar de Aquiles também!

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  2. Quero dizer-te que te admiro. Começou pelo blogue, mas foi no LX e depois de ler o teu livro que confirmei a pessoa extraordinária que és. Isto que vais fazer e que declaras com toda a modéstia, é mais uma prova da coragem que trazes dentro, porque como sabes, há por aí muita cabeça complicada. bjs

    PS: Dei saltinhos, quando vi o teu nome na minha caixinha de comentários :)

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  3. Como eu te compreendo. É tão fácil para os outros julgarem uma mulher pelas coisas mais insignificantes... E ninguém ataca os homens da mesma maneira, acham mais aceitável serem eles a não querer ter filhos.

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  4. Gostei muito do texto e da sinceridade. É uma decisão nossa, que não tem que ser criticada ou julgada.

    Um beijinho e um abraço também deste lado do monitor ;)

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  5. Sem dúvida, uma escolha tão válida como qualquer outra =)

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  6. Sabe que hoje estou vivendo isso. Por muito tempo tentei ter filhos e não consegui, tenho obstrução tubária, poderia fazer uma FIV, mas sinceramente, não to afim disso! Não sei se tentei ter filhos por mim ou pela exigencia da sociedade. Ainda estou buscando respostas. Mas neste momento, não quero abrir mão da minha liberdade, do meu ir e vir, não quero me sentir responsável por alguem para sempre! Isso assusta um pouco. Sobre a questão do que as pessoas vão pensar sobre minha decisão, isso já está bem claro: Não quero e tu não tem nada haver com isso. Bjokaaa

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