03/05/2016

Nascer em Portugal

Temos cada vez menos filhos em Portugal, é verdade. E os que temos são cada vez mais tarde, o que gera consequências sérias num país profundamente envelhecido, numa quebra concreta ao aumento e manutenção da população.

Foi neste contexto que fui entrevistada para o projecto Nascer em Portugal, que teve como casa de partida o Inquérito à Fecundidade de 2013 e que se apresenta agora numa parceria entre o Instituto Nacional de Estatística e a Fundação Francisco Manuel dos Santos, para descobrir quais são as razões deste decréscimo acentuado na natalidade. É um assunto mesmo muito sério e que nos diz respeito a todos nós, para o qual tive o maior prazer de participar, mesmo se fui para contrariar.

Como um exemplo duma população que não quer ter filhos, havia coisas que precisava mesmo de dizer, de desmistificar, porque é urgente falar deste assunto e dar voz a todos aqueles que têm vergonha de se assumir. É triste sentir que vivemos num mundo em que as pessoas ainda apontam o dedo para aqueles que escolhem a carreira ou a vida além dos filhos e que essa pressão vem, muitas vezes, da família e dos amigos mais próximos. É ainda mais triste sentir que as mulheres são as principais "culpadas" nestes julgamentos e que, por isso, sentem vergonha em aparecer e dar a cara para falar neste assunto. [e por isso mesmo é que apareci duas vezes, porque falo sem papas na língua]

Há realmente muitas razões pelas quais os homens ou mulheres não querem ter filhos, algumas que parecem mais "parvas" que outras. Mas quem somos nós para julgar as opções de vida das outras pessoas? E porque achamos que tem de haver uma razão lógica para tudo, uma explicação em forma de sentença? Deixem-se disso.

Deixem-nos ser livres para fazermos as nossas opções, para batermos com a cabeça, para sermos felizes ou infelizes, seja como for. Deixem-nos mudar de opinião ou continuar na mesma, mas não nos façam sentir mal com uma decisão que, acima de tudo, tem a ver connosco, com o nosso próprio julgamento e com a nossa vida. Deixem-nos respirar fundo e deixem-nos ser sinceros com aquilo que vai dentro do peito, com o nosso coração, mesmo que isso vá contra aquilo que pensam que é melhor, que tem a ver com a felicidade absoluta. Nem sempre aquilo que vocês sonham para nós é aquilo que realmente é o melhor para nós.

Há tanto a dizer e, apesar da minha entrevista ter durado quase 1 hora e meia e ter falado sobre muitos aspectos muito importantes de referir, aqui ficam os 3 minutos que a resumem. Espero sinceramente que gostem. :)

1 comentário:

  1. Gostei da entrevista e da sinceridade. Eu quero ser mãe, mas se não quisesse, queria que me respeitassem igualmente, sem julgamentos. São decisões muito pessoais e não devem ser criticadas, mas infelizmente ainda são e de que maneira. Eu já estou na casa dos 30 e a pressão é enorme. E sabem lá muitas dessas pessoas o que se passa nas nossas vidas e o porquê de não sermos mães... Em qualquer dos casos, respeitar é o caminho, independentemente de querermos ou não ter filhos.

    Um beijinho Raquel ;)

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