21/07/2016

[Croácia e Eslovénia] uma road trip para guardar no coração


[Eslovénia no seu estado puro]

- Atenção! Este não é um post patrocinado (mas eu não me importava que fosse) -

Ao longo destes posts todos que tenho feito, muitos me têm perguntado coisas mais práticas da nossa viagem, como onde é que alugámos carro, quanto é que gastámos, qual era o nível de vida dos países que visitámos e outras questões determinantes para quem quer viajar, principalmente como nós, que o fazemos com muita atenção àquilo que gastamos. Por essa razão, hoje decidi escrever-vos com todos os detalhes da nossa viagem, onde andámos, onde pernoitámos e mais ou menos quanto gastámos nesta aventura.

A primeira preocupação de quem viaja com os dinheiros mais contados é comprar a viagem o mais cedo que conseguir. Nós comprámos em Novembro para irmos em Maio, ou seja, com meio ano de antecedência. Por essa razão, a nossa viagem ficou por cerca de 530€ para os dois, com direito a uma mala no porão (para as roupas de temperaturas distintas), com uma paragem de 2 horas em Frankfurt na ida e uma de 6 horas em Zurique na vinda, que deu para toda uma aventura e que vou deixar para contar mais lá para o final.

Comprar uma viagem com tanta antecedência permite-nos não só poupar nos voos, já que conseguimos sempre preços mais baratos meses antes, mas também ir pagando tudo às prestações. A viagem é num mês, o aluguer do carro no mês seguinte e os alojamentos no terceiro mês e nos últimos tempos antes de irmos, vamos amealhando para o resto, que se resume à comida e aos gastos mais diários.

Mas então, como é que nos lembrámos de ir à Croácia e à Eslovénia? No ano passado tínhamos andado pelas cidades de São Francisco e NY e, desta vez, a nossa escolha era mais centrada na natureza e queríamos fazer algo à semelhança daquilo que fizemos há 2 anos atrás, na nossa road trip pela Inglaterra. Acima de tudo, queríamos fazer uma viagem em que tivéssemos um bocadinho de tudo: praia, montanha, natureza no seu estado mais puro e um cheirinho da vida citadina. Foi por isso que nos decidimos por estas paragens; vimos as águas da Croácia e não quisemos adiar mais o mergulho, espreitámos algumas imagens da beleza natural da Eslovénia e a curiosidade para visitar esse país falou mais alto. Por isso mesmo, alterámos todos os planos iniciais de visitar outros lugares (que permaneceram na nossa enorme lista de desejos para as próximas paragens) e, como dá para perceber pelas fotos que mostrei, não podíamos estar mais certos.

[ilha de Cres e praia em Mali Losinj - Croácia] 


[as cores de Rovinj - Croácia]
 

[as nuvens que abraçam as montanhas da Eslovénia]


[o país dos contos de fadas - Eslovénia]

[as águas do verde mais inacreditável em Vintgar Gorge - Eslovénia]

Tendo em conta que iríamos fazer uma road trip, a segunda preocupação foi, então, o aluguer do carro. Primeiro, fizemos uma busca extensiva das várias agências de aluguer de carro a partir de Zagreb, para onde íamos voar, mas também se havia diferença em alugar na agência da cidade ou do aeroporto. Era necessário termos atenção também às taxas por atravessar as fronteiras com o carro e, por essa razão, trocámos muitos emails e alguns telefonemas para nos garantirmos do melhor preço. Acabámos por nos decidir pela Sixt, que nos fez uma proposta irrecusável e onde pagámos 114€ por 9 dias, com passagem por dois países. E sim, foi um valor quase absurdo de tão barato, não só porque alugámos um Golf, mas também porque, à chegada à agência do aeroporto, surpreenderam-nos com um Diesel, ou seja, com mais potência para subir as montanhas e mais barato de abastecer. Foi mesmo um negócio muito bom e, na opinião do nosso host de Zagreb, o normal é gastar, no mínimo, o dobro.

Assim, acordámos no primeiro dia às 3h30 para apanharmos o primeiro voo para Frankfurt, chegámos a Zagreb às 14h, alugámos um carro e conduzimos durante cerca de 140km (2 horas) até ao nosso primeiro alojamento, perto dos lagos de Plitvice, a nossa primeira paragem. Quisemos começar pela calma que se sentia por ali, um tempo que nos obrigou a parar, a respirar fundo e a aproveitar cada segundo dos 5kms que caminhámos (ver mais aqui). Gastámos 63€ por duas noites no Apartment Lana e, apesar de não ser espectacularmente bonito (somos demasiado exigentes :P), foi exactamente aquilo que precisávamos para descansar e começar a nossa viagem. Para além disso, era um espaço privado com quarto, sala, cozinha e casa-de-banho, mesmo perto dos lagos de Plitvice. Foi, por isso, ideal e muito em conta.




[lagos de Plitvice]

Quisemos aproveitar o facto de ficarmos quase sempre em espaços privados com cozinha, por isso fizemos a maioria das refeições em casa. No entanto, sempre que almoçávamos ou jantávamos fora gastávamos uma média de 30€ pelos dois, algo bem acessível, pelo menos para nós. Na Croácia, o nível de vida é ligeiramente mais baixo do que o nosso, por isso nunca encontrámos sítios muito caros para comer e, tendo em conta que a comida croata tem influência italiana e mediterrânica, comemos sempre muito bem. Na generalidade, escolhíamos os restaurantes pelas reviews no Tripadvisor, mas também aconteceu de vermos vários locais num determinado sítio e decidirmos ir lá.

Ao terceiro dia, saímos de Plitvice e fizemos um dos maiores trajectos desta viagem: cerca de 270kms e 5 horas entre as montanhas e as ilhas croatas. Esta aventura incluiu também um trajecto de ferry entre a primeira ilha de Krk e a ilha de Cres, que nos custou 117HRK, ou seja, não chegou a 17€ pelos dois.

Talvez por ser uma estância balnear, o sítio onde vimos coisas mais caras (a nível de comida e não só), foi mesmo Mali Losinj, a ilha da nossa segunda paragem. Ainda assim, conseguimos um valor bastante simpático para o nosso segundo alojamento, onde gastámos 100€ por duas noites, numa casa que dava para quatro e que tinha uma vista magnífica. E Mali Losinj valia por si só.

[para quem não viu ou quer relembrar, o primeiro post que fala de Plitvice e de Mali Losinj está aqui]


[Mali Losinj]

Depois de dois dias nas ilhas, de descanso e de alguma praia, apanhámos o ferry de volta à Croácia continental, com o mesmo valor do anterior. O nosso destino era a hora do almoço nas cores bonitas de Rovinj e, para isso, tivemos de sair bem cedo para fazermos os 150km e cerca de 3h15 de viagem. E depois de alguma frustração com a fome e o calor, fomos recompensados com estas vistas e uma tarde numa praia no meio dum pinhal.


[Rovinj]

Ao final da tarde, fizemos os quase 40 minutos que separam Rovinj de Pula e fomos encontrar uma das nossas melhores estadias, num apartamento que teve tudo para nos aconchegar, principalmente no dia seguinte, que foi de chuva pesada. Pula foi daqueles destinos que tivemos pena de não ver melhor e aquele dia que havíamos planeado para explorar mais aquela área foi, literalmente, por água abaixo. Foi por isso que aquela estadia boa foi tão importante, porque acabámos por dormir muito, fazer as refeições em casa e recuperar forças para os dias intensos que se avizinhavam. E este é um alojamento que recomendamos vivamente, onde gastámos cerca de 89€ por duas noites.

[mais uma vez, está aqui o post sobre Rovinj e Pula]


[Pula]

Em seguida, seguimos caminho para a bonita Eslovénia. Não me vou alongar demasiado sobre este dia, que já foi completamente descrito num post que fiz e onde declarei o meu amor arrebatador por este país. Foi o dia mais longo que tivemos, mas também o mais emocionante e surpreendente, onde subimos a montanha eslovena de Vrsic Pass, ao longo do rio maravilhoso de Soca, debaixo de um temporal inacreditável de chuva e frio, durante cerca de 6 horas e com quase 370kms de cenários próprios dos sonhos.






[o caminho pela montanha de Vrsic Pass - Eslovénia]

No final deste dia tão intenso, podem prever o quão estávamos desejosos de descansar. Foi assim que encontrámos a nossa paragem seguinte, numa pequena localidade perto do lago de Bled. No Apartment Aleks fomos recebidos com um sorriso pela dona da casa, uma eslovena tão doce como uma avó querida. As minhas costas não se habituaram ao colchão de água, mas, para quem gosta, foi tudo um sonho. Tínhamos um apartamento muito bom e confortável só para nós e até o chão da casa de banho era aquecido, por isso sentimos que os 100€ que gastámos pelas duas noites deram-nos acesso ao luxo e ao carinho esloveno. Mais uma vez, recomendamos vivamente este sítio, perfeito para explorar a zona.


[Vintgar Gorge - Eslovénia]

O nível de vida esloveno é um pouco mais elevado do que o português, mas não é, de todo, limitativo. No dia seguinte, começámos a manhã pela visita a Vintgar Gorge, onde pagámos 4€ por pessoa pelo percurso de 3,2kms, que ainda hoje me arranca suspiros. Depois, fomos almoçar perto do lago Bohinj, num sítio que também nos marcou pela simpatia da senhora que nos serviu e pela comida tão típica. A cozinha eslovena inspira-se mais na caça e nos produtos locais, e temos acesso a todo o tipo de carne da montanha, até à de urso (que não experimentámos), mas também de cogumelos e trufas, próprias daquele lugar. É tudo tão delicioso como as paisagens, já que se sente que é tudo biológico, puro e sincero.

[lago Bohinj - Eslovénia]

Assim, depois de almoço fomos visitar o lago Bohinj e, apesar da chuva não parar de cair, a magia manteve-se. Não pagámos nada pela visita que fizemos de carro, assim como no lago de Bled, onde terminámos a tarde, a reafirmarmos que os contos de fadas existem. O único sítio onde tivemos de pagar entrada foi no Castelo de Bled, onde subimos no dia seguinte, antes de partir para a capital Ljubljana. Eram 10€ por pessoa, mas só eu é que entrei para tirar as fotografias lá de cima para o lago, fotografias essas que valeram cada cêntimo.

[aqui está o post sobre os lagos eslovenos]




[lago Bled]

A nossa penúltima paragem foi a capital da Eslovénia, a bonita Ljubljana. Os 57kms que dividem Bled e a capital fazem-se em apenas 49minutos e nós já tínhamos ouvido falar tão bem de Ljubljana que decidimos sair cedo para aproveitar cada recanto desta cidade. A chuva estragou-nos um bocadinho os planos mais uma vez, já que desabou o mundo quando chegámos e esta cidade vive-se na rua, a usufruir das esplanadas e das ruas. Gastámos 3€ cada um para subir ao castelo de funicular e, muito sinceramente, apesar de ser bonito, não valeram a pena, principalmente com o tempo chuvoso que se fazia sentir.

O alojamento em Ljubjana também não foi o melhor, aliás foi mesmo o pior e o mais caro que encontrámos nas férias. Pagámos 70€ por uma noite neste hotel que, apesar das reviews positivas e de ser bem no centro da cidade, era muito antigo e deixou um bocadinho a desejar a nível da limpeza. Ficámos bastante desiludidos, já que gastámos bem mais do que nos outros alojamentos e ficámos pior servidos, por isso não recomendamos este hotel. Ainda assim, escolhemos jantar no rés-do-chão do hotel, que tinha um restaurante histórico e bastante conhecido e foi um jantar muito bom e bastante em conta. E, em resumo, ficámos com vontade de voltar a Ljubljana (ficar noutro lugar), e viver a cidade sem chuva.


[Ljubjana]

A nossa última estadia centrou-se em Zagreb, o nosso último destino das férias, a uma hora de caminho desde Ljubljana. Ainda que tivéssemos saído com espaço de manobra para entregar o carro a tempo e horas (e não pagar mais um dia de aluguer), perdemo-nos na entrada da cidade e acabámos por chegar mesmo em cima da hora. O nosso host de Zagreb foi a pessoa que nos salvou de pagarmos multas, pois meteu-se no meio do trânsito da hora de ponta de quinta-feira ao almoço e falou em croata com a agência, que nos desculpou o atraso e não nos cobrou a mais.

Para além disso, foi em Zagreb que tivemos o melhor dos alojamentos e o valor que gastámos (128€ pelas duas noites), compensou totalmente. Acho mesmo que foi isso que nos fez gostar tanto da cidade, já que, para além de ser uma casa muito bonita com vistas maravilhosas da janela no telhado, ficámos mesmo ao lado da catedral e tínhamos acesso à parte mais alta (e mais deslumbrante) da cidade. E a casa dava, à vontade, para 4 pessoas.

[o post sobre as capitais da Croácia e da Eslovénia está aqui]



[Zagreb]

Já de volta a casa, tivemos uma paragem em Zurique com 6 horas, que permitiu que fôssemos até à cidade, pelo menos para dar uma volta e almoçar. E, apesar de ser uma cidade tão bonita que me deu vontade de conhecer mais e melhor, a verdade é que a nossa aventura até lá ficou mais cara do que esperávamos e queríamos. Pagámos 13€ cada um numa viagem de comboio até à cidade, viagem essa que demorava cerca de 10/15 minutos para cada lado. À chegada à cidade, a chuva começou a ameaçar os nossos planos e parámos para almoçar num sítio que nos cobrou 20€ a cada um, por um almoço de salsichas. Sim, leram bem, gastámos quase 60€ por uma brincadeira que acabou mais cedo, porque a chuva que caía era tão intensa que nem conseguimos aproveitar. E, assim, 2 horas depois de chegarmos, voltámos para o aeroporto, ansiosos por voltar a casa.

Ainda assim e em jeito de resumo, foram uns dias muito, muito bons. Planeámos exaustivamente, vivemos como devíamos e usufruímos plenamente cada segundo. Tivemos muitas surpresas e vimos sítios que nem sabíamos que podiam existir. E, mesmo com a aventura final em Zurique, temos a certeza que esta é uma viagem que vamos guardar num sítio muito especial do nosso coração.

E vocês? Gostaram da nossa viagem? E quais são os vossos planos para a próxima? :)

3 comentários:

  1. Que lindo! Eu adorei toda a viagem e descrição. A Suíça é muito cara, o macdonalds por ex. fica a cerca de 20 Euros por pessoa... e a comida suíça não é mesmo nada de especial.

    Um beijinho

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  2. Eu sonho em poder fazer essa viagem Eslovenia-Croacia, são dois países absurdamente lindos. Cheguei no seu blog agora e já amei tudo, vou guardar este post com carinho pra quando chegar minha vez de explorar esses dois países, e vou lá ler todos os outros posts dessa viagem linda também.
    Zurique é uma cidade muito cara, estive lá recentemente.. só que felizmente gastei bem pouco, ao invez de ir a umr estaurante, eu parei no mercado e comprei algumas coisas pra comer, isso ajudou bastante no orçamento da viagem
    Lindo blog, ganhou uma leitora!
    Beijo

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