14/07/2016

[Eslovénia e Croácia] as capitais Ljubljana e Zagreb

Eu sei, adiei este post mais do que devia. Já devia ter encerrado o capítulo das férias, devia estar concentrada no trabalho e em fazer deste blog um sítio mais produtivo, com coisas minhas. Devia dedicar-me de novo à escrita, devia fazer uma data de coisas que prometi a mim mesma, devia, devia, devia. Uff.

Depois de meses de indecisão e confusão, acho que esta semana arrumei finalmente o blog nas minhas expectativas. Foi uma conversa com a minha Raca (que toda a gente conhece do We Blog You), em que chegámos à conclusão que este é um espaço meu e que não devo ceder à pressão. Ponho aqui o que quero e quando quero, mas tenho de o agendar, mesmo que seja só internamente e sem grandes expectativas. E, por essa razão, prometi a mim mesma (mais uma vez, eu sei.) que virei cá uma vez por semana, para vos falar do que se anda a passar na minha vida.

Mesmo assim, falta encerrar este assunto das férias e, por isso, esse é o tema de hoje. Depois de uns dias maravilhosos pelas montanhas da Eslovénia (ver aqui e aqui), chegou o dia em que tivemos de rumar à capital, para mal dos nossos sonhos, que queriam permanecer naquela paz pintada de verde. Mas o tempo que tínhamos estava contado desde o início da viagem e o nosso próximo destino estava traçado: Ljubljana em 24 horas.




A capital eslovena é uma cidade muito pequena, marcada pelo rio Ljubjanica, que divide a cidade em duas partes: a antiga, que dá acesso ao castelo, e a comercial e mais política, do outro lado. Há uma lenda que conta que em 1144 Ljubljana era dominada por um dragão que cuspia fogo de uma das torres do castelo, para aterrorizar todos os habitantes daquela cidade. Depois de passar muitos anos sozinho e a destruir tudo o que o rodeava, o dragão apaixonou-se por uma fêmea doce e, juntos, tiveram o primeiro dragão artista do mundo.

Esta é a imaginação dos eslovenos, que acreditam na magia das pequenas coisas e guardam segredos nos sorrisos. É por isso que o dragão é o símbolo da cidade, que está presente numa das pontes mais bonitas da capital, que retrata uma outra lenda, que conta que o fundador da cidade, Jason e os seus Argonautas (figuras da mitologia grega), mataram um dragão, que está representado numa das quatro estátuas dessa ponte. E há uma lenda que diz também que, de cada vez que uma virgem atravessa esta ponte, os dragão abanam as suas caudas.



Mais uma vez, tivemos o azar de encontrar Ljubljana com chuva e muito escura, por isso é que acho que ela não nos deslumbrou tanto como esperávamos. Depois de atravessarmos a ponte, seguimos aquilo que nos diziam os diversos guias que vimos antes de irmos para lá e subimos de teleférico até ao Castelo, que dizia ter as melhores vistas da cidade. E embora agora consiga apreciar um pouco destas fotografias, confesso que na altura não ficámos muito impressionados. É que tínhamos vindo daquela magnitude das montanhas e, muito sinceramente, não achámos que esta capital dizia muito sobre o país que representava.


No entanto, ao passearmos pelas ruas da cidade nem o tempo cinzento conseguiu toldar-lhe a beleza. Com edifícios que reflectem ainda a influência austríaca de tempos passados, os carros estão limitados a certas partes do centro e, por isso, a cidade é dos que andam a pé ou de bicicleta. Para além disso, é cheia de sítios bonitos, de cafés, restaurantes, recantos e segredos, que inspiram a viver a cidade numa conversa, enquanto se bebe um copo de vinho a olhar para a outra margem do rio.









Agora que olho para estas fotografias, vejo o quão particular e especial é a cidade de Ljubljana, uma capital cheia de pormenores tão deliciosos como fascinantes. Arrisco-me a dizer que o dragão simboliza mais do que esta cidade; é o emblema de um povo, uma personificação da coragem, da força, do poder e da imaginação. É a soberania de algo que é mágico e que imprime a sua distinção em tudo o que faz. [nota-se muito que já quero voltar para a Eslovénia?]



Nos últimos dias, seguimos até à capital da Croácia, Zagreb. A cidade está 120 metros acima do nível do mar, é o ponto turístico mais central e em direcção à beleza do Mar Adriático. No entanto, é muito além disso, é um sítio onde se encontram muitas culturas, jardins e é uma cidade de museus, já que tem mais por metro quadrado do que qualquer outra cidade do Mundo.



Representação dum povo católico, uma das grandes atracções desta cidade é mesmo a catedral, ao lado da qual acordávamos todas as manhãs, já que estávamos alojados por lá. Situada em Kaptol, ou seja, a parte mais alta da cidade, era o ponto ideal para começar a visita da cidade e era mesmo por aqui que começámos os dois dias que lá estivemos.




Enquanto que no primeiro dia já só apanhámos a luz do final de tarde e um pouco da movimentação da praça principal, no dia seguinte decidimos começar pelo mercado e absorver a energia daquele povo. Fizemos como os locais e sentámo-nos a beber café, para percebermos que o reboliço era tanto que era impossível de captar por fotografias, e só disponível para viver. Depois, subimos até à Igreja de São Marcos, cujo telhado colorido cria o postal ideal de Zagreb. Foi lá em cima que vimos também a melhor vista da cidade, dos telhados que a habitam.





Ali, na parte mais alta, um tiro de canhão anuncia o meio dia e recomendo que tapem bem os ouvidos para não ficarem surdos para o resto da tarde. Depois disso, vimos um casal que podia pertencer a uma linda história de amor-para-sempre, em que ele tocava e cantava She (canção original do francês Charles Aznavour, mas imortalizada por esta versão do Elvis Costello para o filme Notting Hill), enquanto a mulher amaciava o pêlo do cão que lhes fazia companhia. Num resumo, esta foi uma história que me aqueceu o coração.



Foi aí também que visitámos um parque bonito, onde encontrámos ilustrações de artistas croatas e uma sombrinha bonita para refrescar. Depois de descermos por esse parque, chegámos à zona mais comercial da cidade, onde o eléctrico passava e onde decidimos parar para almoçar.


Depois de algumas voltas pelo reboliço do centro da cidade e inúmeros passeios pelos parques, decidimos fazer como o povo croata e, naquela tarde de sexta-feira, sentámo-nos num café numa rua bem conhecida pelos seus exemplos de promenade. Podem desenganar-se aqueles que acham que vão "apanhar uma seca" de história ou de religião nesta cidade, já que os croatas são bem conhecidos pela sua cultura de café, uma cultura de proporções bíblicas. Este é um povo que adora sentar-se a beber café (que por lá é mesmo bom e equiparável ao português), enquanto vê os outros passar. Embora o sábado de manhã seja o dia em que os locais se encontram para falar dos tópicos da semana, qualquer dia ou rua são exemplos da tão típica admiração à promenade.





Foi aqui que a chuva antecipou o final do nosso dia e nos obrigou a voltar ao nosso poiso por lá, para fazer as nossas malas daqueles dias tão intensos, para regressar à nossa casa. Estes foram dois países maravilhosos e inebriantes, cada um à sua maneira. As águas azul turquesa do Mar Adriático da Croácia fizeram-nos sonhar e as montanhas da Eslovénia deram-nos vontade de ficar. E ainda que a Croácia não nos tivesse apaixonado como a Eslovénia, Zagreb foi o final perfeito que precisávamos para descansar, recuperar forças e prometer uma viagem de volta.

P.S. Prometo voltar cá ao blog para a semana, para fazer um resumo de todos os sítios que visitámos, do percurso que fizemos, dos nossos alojamentos e outros detalhes, para que vocês desse lado possam fazer as mesmas viagens que nós, se assim quiserem. Pode ser? <3

5 comentários:

  1. ameiiiiiiiiiiiiiiiii :)

    um dia tens que publicar um livro das tuas viagens !!!

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  2. Mais do que encantada com as fotografias. Deixou-me com vontade de visitar estes países que nunca me cativaram especialmente.

    Marli, do My Own Anatomy ☀

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  3. Nunca me canso de ver fotos de outras paregens, hoje viajei um bocadinho contigo. E é tão bom quando isso acontece! bjs

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