31/01/2017

Minha querida (bis)avó Lurdes,


hoje é o dia do teu aniversário. Não pensei que me fosse esquecer deste dia, mas a verdade é que há 3 anos que não me lembrava dele, desde que decidi escrever um livro e tu foste o primeiro conto que eu decidi contar. E ainda hoje "Eunice" é um dos meus contos favoritos, a minha homenagem a ti.

A verdade é que não preciso de datas comemorativas para me lembrar de ti, vejo-te de todas as vezes que olho para a minha mãe, a sua determinação fascinante, as suas cores garridas, o seu sorriso capaz de derrubar montanhas de desafios e obstáculos. Ela herdou a tua força, o teu carinho, a tua forma de usares essa tua doçura imperativa. Nós herdámos a tua coragem e a maneira feliz de ver a vida.

Já lá vão muitos anos, mais de metade da minha vida foi sem ti. As memórias baralham-se e às vezes confundo datas e momentos. Já não me apareces nos sonhos, mas sei que continuas por aí, a sorrir-nos e a abraçar-nos nas memórias. E, de cada vez que alcanço uma vitória, ouço a tua gargalhada e o teu sotaque adocicado, a aplaudir-me na recta final.

Minha querida (bis)avó Lurdes, temos muitas saudades tuas. És a nossa estrelinha, a nossa inspiração. Obrigada por me ensinares que a força e a ousadia vêm das mulheres, que a alegria é a nossa maior virtude e que não é preciso ter medo de amar incondicionalmente. 


4 comentários:

  1. Raquel,
    Ouvir ou ler sobre as mulheres e a influência pojante que têm nas nossas vidas é sempre um excelente motivo para sossegar e deixar-me ficar. Os velhos, como prefiro, são o reduto das nossas vidas. A ascendência inevitável que não descuro nem permito que esmoreça. Gosto sempre de te ler, tão mais quando escreves sobre os teus e a sua relevância. Logo me assaltou a ideia, a minha avó materna, matriarca pendular da minha família. Felizmente, imagina, ainda entre nós.
    Um viva à tua bis(avó)! Sempre. Mesmo que pareça fora de hoje.
    Um beijo. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querido Real :)
      Que saudades que tinha eu das tuas palavras. Os velhos são mesmo o reduto das nossas vidas e esta minha velha vai fazer sempre parte do que eu sou.
      Um beijo para ti!

      Eliminar