09/02/2017

Por onde ando eu

As perguntas são muitas e sei que têm ligação directa com a preocupação, porque costumava estar por cá e relatar a minha vida de forma escrita. Mas não se preocupem, está tudo bem e hoje venho cá resumir-vos por onde tenho andado.

Começo por dizer-vos que o ano passado não foi fácil. Foram algumas perdas com as quais não consegui lidar muito bem e alguns obstáculos difíceis de ultrapassar. A certa altura fiquei com a nítida sensação que tinha o Mundo inteiro contra mim e, nesse momento, fiz aquilo que me é habitual e refugiei-me nos meus. Fechei-me em copas, guardei aquilo que era meu e decidi afastar-me deste lugar que me é tão querido. Agora que escrevo estas linhas percebo o quanto sentia falta deste momento que, embora seja partilhado com as pessoas que me lêem, não deixa de ser inteiramente meu.

Talvez não seja a maneira certa de lidar com os problemas, mas sempre preferi o silêncio. Percebi aquilo que diziam sobre a difícil gestão de mostrar aquilo que eu sou e da natural invasão de privacidade, algo que, pela primeira vez desde que comecei este blog, nunca tinha sentido nem entendido. Mas da mesma maneira que me isolei um pouco até dos meus amigos, decidi manter-me calada por cá. E confesso que me esqueci do enorme poder que é organizar tudo com palavras, de dar nomes aos sentimentos, de enfrentar os medos e de seguir em frente.

Em jeito de balanço, em 2016 dediquei-me a 100‰ à minha/nossa Hey Billie, ao nosso mundo fantástico para os miúdos e os graúdos que ainda vivem com a cabeça na lua e escolhem os sonhos da Terra do Nunca. Foi um ano cheio de acontecimentos bons, de elefantes e baleias e pinguins e outros que tais, integralmente feitos pelas minhas mãos. Começámos a fazer o Mercado do Porto Belo por cá, duas vezes por mês, enviámos os nossos bichos para todo o Mundo, para França, Bélgica, Suécia, Inglaterra, Holanda, México e até Estados Unidos. Integrámos mais uma pessoa na equipa, fizemos uma campanha de Natal e um vídeo que conquistou muitos sorrisos.

Estamos, aos bocadinhos, a conquistar o nosso lugar e, apesar disso me ocupar a tempo inteiro, tem sido muito, muito gratificante. Cada um destes bichos tem um pedaço de mim, um costume só nosso e é mesmo bom saber que há pessoas que gostam e acreditam neste mundo de encantar.

Neste ano que passou, preferi ler a escrever. Li alguns livros (mais de 15), incluindo alguns dos meus favoritos de sempre, como Eleanor & Park, que me fez lembrar da intensidade com que vivemos os amores da adolescência e To Kill a Mockingbird, que me inspirou de coragem e da verdade, mesmo quando todos sentem a mentira. Pendurei na parede os desenhos que mais ilustram a família de Camões, feitos ou dados por amigos. Dei muitos mimos à minha miúda de olhos doces, celebrei os 6 anos que mais me fizeram sorrir, aprendi a desligar do que não interessa e a respirar fundo.

A verdade é que, apesar das coisas boas terem sido poucas, em 2016 passei demasiado tempo a sentir-me derrotada. E não é esse o meu feitio, não gosto de me sentir assim nem de deixar transparecer isso. Podia dizer que essa foi mais uma desculpa para não escrever por aqui, mas decidi não fazê-lo. As desculpas e os desafios de 2016 ficam lá para trás, com o ano que passou. E já chega de olhar para o passado.

Em resposta às vossas perguntas, não desapareci para nunca mais voltar, não me cansei de escrever, não vou desistir de lutar, não me esqueci dos que me lêem. As respostas que vos posso dar resumem-se numa só frase: está tudo bem. 2017 tem tudo para ser bom. Começou da melhor das maneiras, com um desafio tão grande que me tem tirado o sono e me invadido os sonhos. Ando preocupada, cansada e ausente, mas muito feliz. Tenho novos projectos nas mãos, coisas que nunca tinha feito e que andam a correr muito bem. E ainda que não possa mostrar-vos as razões do meu sorriso, prometo que em breve o farei. Por isso, vemo-nos por cá? :)

[Esta é uma foto que dá para mostrar já e que vos dá uma espreitadela das mudanças que andam a passar-se por cá. E não, não estou grávida. :P]

4 comentários:

  1. Obrigada por teres esse cuidado de dar notícias. Não faz diferença quanto tempo ficas por cá, interessa que estejas bem e a encontrar e viver o que te faz feliz. Cá nos encontramos, com certeza. Bjo. :)

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  2. É bom tê-la de volta e ler as suas palavras :-) Vemo-nos pois :-)
    Beijinho

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  3. Raquel,
    Temo cair na repetição, mas não é mentira. Gosto sempre de voltar, de ler a tua prosa abundante, que tem tudo de ti, sem esqueceres o outro. Acrescentas. Sou fã assumido das fotografias com que a ilustras. Pior do que nos ausentarmos é não voltarmos. Regressa sempre.
    Fica o sincero desejo de que te vejas envolvida nesses projectos, inundada de satisfação. E que a compreensão dos outros seja um apontamento.
    Um beijo.
    Até já!

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