31/12/2017

um brinde a 2017

Embora sempre fosse uma pessoa saudosista, que gosta de se lembrar do que passou, não imaginei que isso fosse significar que fosse uma pessoa de balanços. Mas, este ano e à semelhança dos anos passados, chega esta altura e dou por mim a pensar no ano que passou, a tentar recolher vitórias e ensinamentos. É que há sempre coisas boas e aquelas que, apesar de serem menos boas, me fizeram aprender algo e, só por isso, já significam algo de bom para a minha vida.

2017 foi um ano bom. Foi o ano em que comprámos um apartamento, fizemos obras, decorámos ao nosso gosto e o alugámos a estrangeiros. Começou com muitos stresses, muitas noites sem dormir, mas, sem dúvida nenhuma, uma das melhores experiências da nossa vida. Hoje, 9 meses depois de começarmos a receber pessoas na nossa segunda casa, acolhemos 50 casais/famílias, temos estatuto de Superhost, reviews de 5 estrelas e a agenda permanentemente lotada, com reservas até Agosto do próximo ano. Sinto que estamos a fazer o que gostamos e que o fazemos bem, que as pessoas gostam da nossa casa, da nossa cidade do coração e de nós. E essa é a melhor recompensa.

Foi também o ano em que me deixei de coisas e criei um canal de Youtube. Não é o mais visualizado, não é o mais seguido, nem o mais actualizado, visto que não ponho lá nada há uns meses. Mas é uma parte de mim, algo que me tem divertido muito e que me dá sempre vontade de voltar. Quanto mais não seja para mostrar algo da minha vida, uma limitação que ganhei no ano de 2016. Por isso, duma forma algo tosca, acho que ultrapassei um obstáculo. [2018, se prepare que eu vou-lhe usar]

2017 foi o ano em que a [boa] música venceu. Ganhámos a Eurovisão com a melhor pontuação de sempre e com uma música tão bonita que, mesmo sem perceberem a língua que a ditava, milhares de pessoas de todo o Mundo se emocionaram com ela. Mais do que isso, uma canção que fala sobre um coração forte, capaz de amar por dois, interpretada por alguém com o coração frágil e delicado. Foi uma vitória da Luísa e do Salvador, mas, principalmente, uma vitória da música portuguesa e das pessoas que os ajudaram a chegar lá, que se emocionaram e festejaram com eles. Foi muito, muito bonito. [e até hoje me faz chorar]

E, por falar em emoções, 2017 foi um ano muito importante para mim. De uma forma algo secreta, porque não o decidi partilhar publicamente [talvez o faça brevemente], 2017 foi o ano em que aprendi a aceitar o meu corpo exactamente como ele é. É isso, exactamente aquilo que leram, foi este o ano em que aprendi que sou linda e maravilhosa, gordicha e cheia de pregas, rugas, celulite, duplo queixo e tudo incluído. Acho que o canal de Youtube me ajudou a olhar para mim e a ser verdadeiramente feliz com aquilo que vejo quando me olho ao espelho. Nunca pensei que isso me iria acontecer, muito menos desta forma não planeada [lá porque não tenho agenda em papel, não quer dizer que não goste de planear coisas], mas foi maravilhoso. 

Mais do que aceitar o meu corpo, 2017 foi o ano em que aceitei que chorar não era algo mau. Ainda não consigo chorar à frente das outras pessoas sem me sentir um bocadinho culpada, porque há sempre algo no Mundo que é muito pior do que os meus "problemas". O facto é que algo me mentalizou sempre que o choro era associado com uma fraqueza, o que não abona em nada a meu favor, já que sempre fui aquela pessoa que chorava quando se enervava, ou quando discutia e deixava as lágrimas cair quando não sabia pôr sentimentos ou pensamentos em palavras. Em 2017, algo aconteceu cá dentro e isso mudou. Choro com filmes manhosos e outros que me enchem o coração [sim, quando vi o The Last Jedi chorei um rio inteiro], choro com histórias bonitas e inspiradoras de amizades e amores-para-sempre [pareço o meu pai a chorar com a Oprah - eu choro com a Ellen], choro com desilusões e choro com vitórias. E agora sinto que já consigo dizer melhor as palavras nas discussões e já não choro quando me enervo [nem me enervo tantas vezes]. Choro muito e não faz mal.

Também para Hey Billie foi um bom ano. Começámos lá em baixo e, algures em Abril, achei que teria de desistir desta coisa tão boa e onde dedicava 100‰ do meu tempo. Mas voltámos aos mercados, demos a conhecer o nosso mundo encantado a muitas pessoas, criámos peças novas e mandámos mobiles de baleias até para a Austrália! E, mesmo antes do final do ano, abrimos candidaturas, tivemos muitas respostas ao nosso desafio [e que surpresa boa que foi!] e integrámos mais duas pessoas na nossa equipa de produção. Por tudo isso, acabamos este ano com a certeza de que estamos no caminho certo e que, mesmo que a estrada seja longa, cá estaremos para o que der e vier. :)

Em 2017, continuei a ver os meus pais como ídolos, como exemplos a seguir. Talvez tenha sido o ano em que falei menos com eles e estive menos presente fisicamente, mas sinto que até isso foi positivo. Permitiu-me olhar mais para mim, ser um bocadinho mais egoísta e trabalhar mais naquilo que sou e naquilo que quero ser, independentemente daquilo que eles querem que eu seja. E mesmo que os meus pais, como todos os outros, queiram sempre o melhor para mim, não, nunca me obrigaram a seguir nada ou a ser algo em específico. Mas sempre senti uma necessidade latente de ser a filha perfeita, de não os desiludir, de ser sempre a melhor. Este foi o ano em que deixei isso de parte e fui eu mesma. E, muito sinceramente, ainda não sei se sou a melhor ou se alguma vez vou ser, mas isso já não me importa. Porque sou eu mesma e isso é suficiente para mim. :)

Neste ano, vi amigos casarem, terem filhos e ficarem noivos. Celebrei aniversários, dei alguns conselhos e muitos abraços. Mais uma vez, tive a certeza que os amigos são a família que escolhemos e eu tenho a melhor de todas. E ainda que continue a não ser aquela amiga lamechas (apesar de chorar muito) que lhes diz que os adora todos os dias, eles sabem que é neles que vou buscar força, carinho e vontade de fazer mais e melhor. Porque os verdadeiros amigos são aqueles que te empurram para fazeres aquilo que é melhor para ti, mesmo que tu ainda não saibas. São aqueles que te dão na cabeça quando estás a errar, que te abraçam quando tens o coração aos pedaços, que te ajudam a remendar todos os rasgos e, no final, aplaudem os teus sucessos. E, mesmo que não estejam contigo todos os dias, sabes que eles estão sempre lá. 

Por fim, este foi o ano em que adoptámos a nossa Simone, a preta de perna longa, pelo sedoso e orelhas de morcego. É refilona, adora falar [não, não é ladrar, é mesmo falar], chora muito, rói tudo e come o que vir à frente. Dá-nos uma trabalheira, é muito dependente, não me deixa estar muito tempo ao computador, destruiu-nos duas vezes a árvore de Natal e todas as caixas que tiver por perto. Fez-me ter a certeza que nunca mais quero adoptar uma miúda bebé [a partir de agora é só adultos cá em casa], mas é uma preta muito doce, muito expressiva e carinhosa, e adora-nos mais a nós do que a comida. Dar uma "irmã" à nossa linda Badu de olhos doces foi a nossa melhor decisão em 2017. Hoje, brincam muito, dormem ao lado uma da outra, são muito amigas, adoram-se e aquecem-nos muito o coração. <3

Não vou mentir, 2017 não foi sempre muito bom. Tive momentos em que estive mesmo lá em baixo, prestes a desistir. Tive momentos de cansaço extremo, em que chegava a casa e só me apetecia adormecer no sofá... e ainda tinha de ir arrumar a casa dos turistas ou limpar aquilo que a pequena Simone tinha destruído enquanto estivemos fora de casa. Mas a verdade é que as coisas boas compensaram em muito as coisas menos boas. A melhor de todas, foi que passei este ano todo ao lado do amor da minha vida, do meu melhor amigo, do meu Pedro. Este foi o ano em que fizemos 5 anos de casamento e 8 anos de namoro, um ano muito desafiante para nós, mas muito, muito gratificante. É mesmo muito bom viajar, fazer planos, concretizar objectivos e partilhar a vida a sorrir ao lado dele. É mesmo o melhor do meu ano.

Por tudo isto, 2017 foi bom. Arriscar-me-ia até a dizer muito bom, não fosse esta mania de acharmos que, assim que dissermos que algo foi muito bom, o "universo" se une para nos mostrar exactamente o contrário. Acho que isto é um bom ensinamento para o ano que vem: devemos celebrar mais as coisas boas e não nos sentirmos mal por isso. Vamos começar por aí? :)

Venha de lá o 2018! Estou preparada para o receber :)

6 comentários:

  1. Vamos a isso 2018! Já não lia um texto de reflexão tão bonito e tão sincero, há algum tempo. As tuas palavras são reais, lindas e senti na pele tudo o que disseste. Agora, vamos celebrar mais as coisas boas e bonitas da vida. Beijinhos e sê muito feliz Raquel :)

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    1. obrigada minha querida <3 e que estejamos mais por aqui, a celebrar o que há de bom!

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  2. Que menina corajosa e que palavras tão bonitas. Que 2018 te possa abraçar com muita força e te dê tantos mimos e alegrias que o teu coração transborde desmesuradamente.

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